Úlcera de Decúbito: a importância da nutricionista no tratamento

Conhecida também como lesão cutânea, a doença tem quatro estágios e aumenta o período de internação do paciente.

Quando se fala em úlcera logo pensamos em problemas no estômago. Porém, o que muitos desconhecem é que este é o nome genérico de lesões superficiais em tecido cutâneo ou mucoso.

Uma afta, por exemplo, é uma úlcera na boca. Quando o problema ocorre no estômago ou no duodeno, temos a versão péptica. A de decúbito, muito comum em pessoas internadas ou com mobilidade restrita, acomete a pele. São as feridas cutâneas por falta de circulação sanguínea.

Vários fatores podem aumentar o risco de desenvolvimento da úlcera de decúbito como desnutrição, idade avançada, problemas vasculares e circulatórios, além da hipertensão.

“Outra possibilidade para o desenvolvimento da lesão é quando o paciente permanece um longo período em uma mesma posição, pois isso aumenta a pressão, umidade e temperatura do local”, afirma Dra. Lizandri Rangan, nutricionista do Hospital Bandeirantes.

Segundo Dra. Lizandri, o trabalho da equipe nutricional é essencial para que o processo cicatrizante possa acontecer, pois a administração de suplementos protéicos e calóricos ajuda a acelerar a melhora.

Este tipo de úlcera é comum em pacientes internados há no mínimo um mês, com pouca ou nenhuma mobilidade e quadro de desnutrição em andamento.

“O Hospital Bandeirantes tem se preocupado em melhorar a qualidade de vida dessas pessoas e procura formas de evitar o desenvolvimento da úlcera de decúbito, que é muito dolorida e tem tratamento difícil. Além disso, o problema prolonga o tempo de internação”, ressalta a nutricionista.

No primeiro estágio, ainda não há úlcera propriamente dita e a lesão se parece com uma alergia, deixando o local irritado. Na fase dois, a pele encontra-se avermelhada e inflamada (possivelmente há bolhas) e as camadas superiores da derme começam a morrer.

A úlcera está desenvolvida quando a lesão chega ao terceiro estágio. Logo em seguida, há uma exposição das camadas mais profundas atingindo o tecido muscular (fase quatro) quando o mesmo é destruído. Em períodos mais profundos da doença, há a exposição do osso, lesões e, às vezes, infecção.

“Quando ocorre o rompimento da pele, a infecção torna-se um grande problema, já retarda a cicatrização das úlceras rasas e pode ser letal nas mais profundas”, alerta a nutricionista.

Em lesões mais avançadas, por terem um difícil tratamento, em alguns casos é necessário um transplante de pele saudável para a zona lesada. “Esse tipo de cirurgia nem sempre é possível, principalmente em idosos. Em infecções mais graves, antibióticos são usados, exigindo muitas semanas de tratamento”, conclui Dra. Lizandri Rangan